A Voz da Poesia
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COMO VEIO ELE VOLTOU

Estava no meio do salão
Seu corpo ali estendido
Imóvel completamente
Também estava despido
Inerte, calado e mudo.
Não se ouvia um gemido

Foi assim que alguém
No salão o encontrou
Bateu palma, deu psiu
Nem uma voz escutou
Quatro cadeiras caídas
Ele ao cair derrubou

Caído como estava
Mãos cruzadas sobre o peito
Os olhos semi-cerrados
Seu corpo estava perfeito
Seus lábios davam sinal
De quem partiu satisfeito

Chegaram mais pessoas
E ficaram observando
Todos estavam em silêncio
Como os que iam chegando
Faziam o sinal da cruz
E em silêncio rezando

Estava chegando a tarde
Só o silêncio reinava
O número foi aumentando
Mas ali ninguém falava
Simplesmente se benziam
Um saía e outro entrava

E todo aquele povo
Dava sinal de tristeza
E ao lado do jovem morto
Só uma vela acesa
Mas nele se via um sorriso
Como sinal de grandeza

O segredo do silêncio
Perguntar ninguém ousava
Faziam o mesmo gesto
E para o jovem olhava
Saíam com ar de choro
O seu rosto demonstrava

Se aproximava a hora
Para o seu sepultamento
E ninguém perguntava
Por que tal procedimento
Mas ao sair alguém explicou
Por ser grande o sofrimento

Ele veio a esta vida
Nem sorriu e nem chorou
Sua vida foi em silêncio
O tempo que aqui passou
Com as mãos ele acenava
Mas falar nunca falou

Quando ele nasceu
Sua mãe o observava
Que ele seria mudo
Nem sorria e nem chorava
E assim sua mudez
Bem cedo se confirmava

Era jovem e habilidoso
Criou-se puro e inocente
Por todos era estimado
Jovem amável e consciente
Lhe prestamos esta homenagem
Por sua mãe estar ausente

Nasceu despido e mudo
Quando ao mundo chegou
Vinte anos ele viveu
Nunca sorriu e nem chorou
Como ao mundo ele veio
Mudo e despido voltou
Zé Bezerra o Águia de Prata
Enviado por Zé Bezerra o Águia de Prata em 08/03/2008
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